João Bruno

Advogado do diabetico

Se você ou alguém da família vive com diabetes, conhecer o que o SUS oferece é o primeiro passo para não ficar sem tratamento. Este guia resume o que costuma estar disponível na rede pública e o caminho quando algo é negado ou está em falta.

Resposta rápida: O SUS fornece, pelo protocolo do diabetes tipo 1, insulina NPH, insulina regular, análogas de ação rápida e análogas de ação prolongada, além de glicosímetro, tiras, lancetas, seringas e agulhas, com base na Lei 11.347/2006. Bomba de insulina e sensor de glicose não estão incorporados. O sensor em tempo real seguia em análise na Consulta Pública 63/2026.

O que o SUS fornece, o que está fora Fornece hoje Insulina NPH Insulina regular Insulinas análogas Glicosímetro e tiras Seringas e agulhas Consulta e nutrição Fora do protocolo Bomba de insulina Insumos da bomba Sensor intermitente Portaria de 2018 Portaria de 2025 Em análise Sensor em tempo real Consulta pública 63 Sem decisão final Encerrada em 2026
O que está no protocolo, o que ficou de fora por portaria e o que ainda não teve decisão final. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos.

Insulinas e medicamentos

O SUS fornece insulinas humanas (NPH e regular) e, conforme os protocolos clínicos vigentes, insulinas análogas para situações definidas, além de medicamentos orais para diabetes tipo 2. A disponibilidade de cada item depende do protocolo aplicável e da situação clínica descrita pelo médico. Parte dos medicamentos também é encontrada no programa Farmácia Popular.

Insumos de automonitoramento

Para quem usa insulina, a rede pública costuma disponibilizar glicosímetro, tiras reagentes e lancetas, em quantidades definidas pelos programas locais. Seringas e agulhas também integram a lista. A quantidade adequada ao seu caso deve constar da prescrição.

Acompanhamento e educação em diabetes

Além de remédio, o tratamento inclui consultas na atenção básica, encaminhamento a especialistas, acompanhamento nutricional e ações de educação em saúde. O monitoramento contínuo de glicose para diabetes tipo 1 esteve em consulta pública em 2026: veja o artigo sobre a Consulta Pública 63/2026.

E quando falta ou é negado?

Guarde a prescrição e o relatório médico, protocole o pedido por escrito na unidade ou na secretaria de saúde e exija resposta documentada. A ouvidoria do SUS e a Defensoria Pública são caminhos gratuitos. A análise de cada situação depende dos documentos: veja também o guia da bomba de insulina pelo SUS ou pelo plano.

A base legal do fornecimento pelo SUS

O ponto de partida é a Lei 8.080, de 19/09/1990. Ela inclui a assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica, entre as atribuições do SUS, no art. 6º, I, “d”, e traz no art. 7º a universalidade de acesso e a integralidade da assistência.

Depois vem a lei específica de diabetes. O art. 1º da Lei 11.347, de 27/09/2006, diz que quem tem diabetes recebe do SUS, gratuitamente, os medicamentos necessários ao tratamento e os materiais necessários à aplicação e ao monitoramento da glicemia capilar. Três detalhes dessa lei costumam passar despercebidos:

E o art. 3º assegura o direito de pedir informação à autoridade sanitária municipal quando há atraso na entrega dos medicamentos e materiais. Esse pedido, feito por escrito e protocolado, cria data e registro.

Quais insulinas estão no protocolo do diabetes tipo 1

Quem responde a essa pergunta é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 1, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 17, de 12/11/2019. Ele prevê:

Sobre as análogas de ação prolongada, a Portaria SCTIE/MS nº 167, de 05/12/2022, decidiu não alterar a incorporação já existente para o diabetes tipo 1, mantidos os termos da Portaria SCTIE/MS nº 19, de 27/03/2019.

Estar no protocolo não significa entrega automática. Para as análogas de ação rápida, o protocolo traz critérios clínicos de inclusão, entre eles o uso prévio do esquema com NPH e insulina regular por um período mínimo, a existência de hipoglicemias ou de controle inadequado documentado, o automonitoramento com a frequência mínima prevista e o acompanhamento regular com médico e equipe multiprofissional. É por isso que o relatório médico precisa mostrar o que já foi tentado. Quando a negativa vem mesmo com o critério preenchido, o percurso administrativo está descrito em insulina análoga negada no SUS.

Quantas tiras de glicemia o protocolo prevê

Esta é a dúvida que mais aparece em quem recebe pouca tira por mês. O protocolo recomenda pelo menos três a quatro testes de glicemia capilar por dia, aumentando o fornecimento segundo as necessidades do paciente. Para gestantes, o protocolo trata de forma expressa da entrega do monitor de glicemia capilar e das fitas reagentes para pelo menos três a quatro testes por dia.

Quando a unidade entrega menos do que isso, o caminho é pedir por escrito, citando a quantidade prescrita pelo médico, e guardar o protocolo. Mais sobre o conjunto do que é entregue está em o que o SUS fornece para diabetes tipo 1.

E o Programa Farmácia Popular

O Programa Farmácia Popular do Brasil é outro canal do Ministério da Saúde, com medicamentos e insumos fornecidos gratuitamente, e o diabetes mellitus está entre as condições atendidas. Para retirar, a pessoa apresenta documento oficial com foto e número do CPF, além da receita médica dentro do prazo de validade, que pode ser da rede pública ou particular. O elenco de medicamentos e insumos do programa é publicado pelo próprio Ministério da Saúde e muda com o tempo, então vale conferir antes de ir à farmácia.

O que hoje está fora do protocolo

Aqui mora a maior parte das dúvidas, e também a maior parte das notícias mal lidas.

Um “não” para o sensor por escaneamento não é um “não” para o sensor em tempo real. São tecnologias diferentes e processos diferentes. E recomendação preliminar não é decisão final. O caminho da bomba pelo sistema público está em bomba de insulina pelo SUS.

Os documentos que costumam ser pedidos

O que costuma dar errado

O que este artigo não promete

Este texto informa o que consta das normas e dos protocolos, e não garante fornecimento. Ele não estima prazo de entrega, não afirma desfecho de pedido administrativo ou judicial e não substitui a análise individual. Protocolos mudam, e a data de consulta das fontes está indicada ao final. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos.

Perguntas frequentes

O SUS dá insulina de graça?

Sim. O art. 1º da Lei 11.347/2006 prevê a entrega gratuita, pelo SUS, dos medicamentos necessários ao tratamento do diabetes e dos materiais necessários à aplicação e ao monitoramento da glicemia capilar. O § 3º condiciona o recebimento à inscrição em programa de educação para pessoas com diabetes.

Quantas tiras de glicemia o SUS deve fornecer por mês?

O protocolo do diabetes tipo 1 recomenda pelo menos três a quatro testes por dia, com aumento do fornecimento conforme a necessidade do paciente. A quantidade concreta depende da prescrição médica e da organização do programa local, por isso a receita precisa trazer a quantidade mensal.

O que fazer quando falta o medicamento na unidade?

Formalize o pedido por escrito e guarde o protocolo com data. O art. 3º da Lei 11.347/2006 assegura o direito de pedir informação à autoridade sanitária municipal em caso de atraso. Ouvidoria do SUS e Defensoria Pública são canais gratuitos. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos.

Conteúdo informativo. A disponibilidade concreta depende dos protocolos e da rede local, e cada caso é analisado individualmente. Dr. João Bruno Nascimento Borges, OAB/SE 10.726.

Em caso de dúvida sobre o seu caso, é possível buscar orientação jurídica individualizada pelo WhatsApp.

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