João Bruno

Advogado do diabetico
Sensor de glicose sendo segurado entre os dedos, em close
Sensor de glicose sendo segurado entre os dedos, em close.

Quem usa sensor de glicose sabe que a conta não é o preço de uma unidade, é a repetição. O sensor é descartável, tem prazo curto e volta a ser comprado todo mês. Este texto traz o preço de cada modelo, a duração informada pelo fabricante, a conta do mês e do ano, e o que existe hoje de caminho para quem não consegue manter.

Resposta rápida: Pelo preço de tabela consultado na Drogasil em 14 de agosto de 2026, o sensor FreeStyle Libre custa R$ 299,90 a unidade e dura 14 dias, o Libre 2 Plus custa R$ 329,90 e dura 15 dias, e o Guardian 4 sai a R$ 488,00 a unidade, com troca a cada 7 dias. São cerca de 2 sensores por mês nos dois primeiros e cerca de 4,3 no Guardian 4.

O que forma o custo do mês Preço de tabela na Drogasil em 14/08/2026 Sensor Duração Por mês Unidade FreeStyle Libre 14 dias 2 R$ 299,90 FreeStyle Libre 2 Plus 15 dias 2 R$ 329,90 Guardian 4 7 dias 4,3 R$ 488,00 Preço de tabela de um dia. Não é orçamento.
O custo do mês vem da duração do sensor multiplicada pelo preço da unidade. Preços de tabela consultados na Drogasil em 14/08/2026, sem desconto de laboratório e sem convênio, que não substituem orçamento.
Família com criança usando lancetador e kit de monitoramento de glicose sobre a mesa

O preço de cada sensor

Valores consultados na Drogasil em 14 de agosto de 2026, em preço de tabela, sem desconto de laboratório e sem convênio:

Quanto tempo dura cada um

A duração está nas páginas oficiais dos fabricantes, e é ela que define a conta:

A conta do mês e do ano

No primeiro ano some ainda o leitor ou o transmissor. E some as tiras reagentes, que continuam necessárias em várias situações: a R$ 1,72 a unidade, duas medições por dia dão R$ 1.254,14 por ano.

Ressalva de método: as contas usam preço de tabela de um único dia e a duração máxima informada pelo fabricante. O intervalo que vale na prática é o prescrito pelo médico assistente, e sensor que descola ou falha antes do prazo aumenta a conta. É ordem de grandeza, não orçamento.

Como saber o que vale para o seu caso

Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos. Para tirar dúvidas sobre a sua situação, é possível buscar orientação jurídica individualizada pelo WhatsApp.

Por que esse número importa juridicamente

Porque ele é prova. Nota de compra e orçamento datado transformam “não tenho como pagar” em documento, e é assim que a dificuldade financeira é demonstrada no pedido contra o SUS, na forma do Tema 106 do STJ (REsp 1.657.156, Primeira Seção, relator o Ministro Benedito Gonçalves, julgado em 25/04/2018).

Contra o plano de saúde a lógica muda: renda não é requisito. O que vale são os cinco critérios cumulativos fixados pelo STF na ADI 7.265 (relator o Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento concluído por maioria em 18/09/2025), mais a prova de que a operadora negou, demorou ou se omitiu. O caminho quando vem a negativa está em sensor de glicose negado pelo plano.

Uma observação técnica que evita erro: o repetitivo do STJ no Tema 1.316, de 12/03/2026, tratou especificamente da bomba de insulina, e não do sensor isolado. Para o sensor, o que se aplica é a moldura geral acima, somada à Lei nº 14.454/2022.

E pelo SUS?

O monitoramento contínuo de glicose ainda não está incorporado ao SUS de forma geral. Quem tem direito hoje e o que está em discussão estão em quem tem direito ao sensor de glicose.

O “não” de 2025 não é o mesmo assunto de 2026

Esta é a confusão mais comum sobre sensor no SUS, e quase ninguém separa as duas coisas. Existem duas tecnologias diferentes e duas decisões diferentes.

2025, escaneamento intermitente. O que foi analisado ali foi o sistema flash de monitorização da glicose por escaneamento intermitente, aquele em que o sensor mede o tempo todo mas os dados só aparecem quando a pessoa encosta o leitor. O Comitê de Produtos e Procedimentos da Conitec recomendou por unanimidade a não incorporação, e a decisão está no Relatório de Recomendação nº 956. A formalização veio pela Portaria SECTICS/MS nº 2, de 31 de janeiro de 2025, publicada no Diário Oficial da União de 03/02/2025.

2026, tempo real. O que está em análise agora é outra tecnologia: o monitoramento contínuo da glicose em tempo real, em que os valores chegam sozinhos ao aparelho, sem escaneamento. Na 153ª Reunião Ordinária, de 02 de julho de 2026, a Conitec emitiu recomendação preliminar de não incorporação para pessoas com diabetes tipo 1 que, mesmo em tratamento e com controle diário, mantêm hemoglobina glicada igual ou acima de 7%. Isso está no Relatório para a Sociedade nº 735, de julho de 2026. A Consulta Pública nº 63/2026 ficou aberta de 29/07/2026 a 17/08/2026.

Dois pontos merecem atenção. O primeiro: uma recomendação preliminar não é decisão final, e até 27 de agosto de 2026 não havia decisão final nem portaria publicada sobre o monitoramento em tempo real. O segundo: um “não” a uma tecnologia não é “não” à outra. Quem lê a notícia de 2025 e conclui que o assunto de 2026 já está resolvido está lendo decisão de tecnologia diferente. O acompanhamento da consulta pública está em sensor de glicose no SUS e a Consulta Pública 63/2026.

Por que o valor aparece de formas diferentes no plano e no SUS

Um cuidado que este texto faz questão de registrar: o Tema 106 foi fixado para medicamento, e sensor de glicose é produto para a saúde. O Tema 1.316 do STJ, de 12/03/2026, tratou de bomba de insulina, não de sensor isolado. Nenhum dos dois resolve automaticamente o caso do sensor, e essa distinção é discutida caso a caso. Os critérios que costumam aparecer estão em quem tem direito ao sensor de glicose, e a comparação com o custo do outro equipamento está em quanto custa a bomba de insulina por mês.

O que este texto não promete

Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos.

Fontes

Perguntas frequentes

Qual é o custo mensal do FreeStyle Libre?

Cerca de R$ 599,80 por mês com o FreeStyle Libre, considerando dois sensores a R$ 299,90, e cerca de R$ 659,80 por mês com o FreeStyle Libre 2 Plus, em preços de tabela consultados em 14 de agosto de 2026.

Quanto tempo dura o sensor de glicose?

O FreeStyle Libre dura até 14 dias e o FreeStyle Libre 2 Plus até 15 dias, conforme a Abbott. O sensor Guardian 4 é trocado a cada 7 dias, conforme a Medtronic.

Quanto custa o sensor Guardian 4 por ano?

Cerca de R$ 25.864,00 por ano, considerando 53 sensores a R$ 488,00 a unidade, fora o transmissor.

O SUS fornece sensor de glicose?

O monitoramento contínuo de glicose não está incorporado ao SUS de forma geral. O sistema flash, de escaneamento intermitente, teve decisão de não incorporação formalizada em fevereiro de 2025. O monitoramento em tempo real teve recomendação preliminar de não incorporação em julho de 2026, e até 27/08/2026 não havia decisão final publicada.

O sensor de glicose entrou no SUS em 2026?

Não. Em 2026 o que houve foi a Consulta Pública nº 63/2026 sobre o monitoramento contínuo em tempo real, aberta de 29/07/2026 a 17/08/2026, depois de recomendação preliminar de não incorporação da Conitec em 02/07/2026. Consulta pública é etapa do processo, não incorporação.

O plano de saúde cobre o sensor de glicose?

Não existe resposta única. A discussão passa pela Lei nº 9.656/1998 e pelo art. 10, §13, incluído pela Lei nº 14.454/2022, e depende da indicação médica registrada e da negativa por escrito com número de protocolo. O Tema 1.316 do STJ tratou de bomba de insulina, não de sensor isolado. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos.

Orientação e contato

Em caso de dúvida sobre o seu caso, é possível buscar orientação jurídica individualizada pelo WhatsApp.

Conteúdo informativo. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos. João Bruno Nascimento Borges, advogado, OAB/SE nº 10.726.