Quando o médico indica a bomba de insulina, a primeira pergunta quase nunca é jurídica. É: quanto isso custa por mês? A resposta dessa pergunta é o que decide se a família segue pelo caminho particular ou precisa buscar o tratamento pelo SUS ou pelo plano de saúde.
Resposta rápida: Em preços de tabela consultados na Drogasil em 14/08/2026, o primeiro ano de tratamento com bomba de insulina ficou entre R$ 76.209,29 e R$ 86.426,79, conforme a frequência de troca do cateter. Só de insumos e insulina, o ano ficou entre R$ 51.659,29 e R$ 61.876,79, o que dá algo entre R$ 4.300 e R$ 5.150 por mês. É preço de tabela de um dia, não é orçamento.
Quanto custa o aparelho
Em consulta feita em 13 de agosto de 2026, o Kit Bomba de Insulina Medtronic MMT-1896BP MiniMed 780G estava anunciado por R$ 20.700,00 em uma das maiores redes de farmácia do país. É preço de varejo, de um modelo específico, e muda conforme a loja, a data e a negociação. Serve como ordem de grandeza, não como valor fixo.
O custo não termina no aparelho
O aparelho é uma compra única. O que pesa no orçamento familiar é o gasto que se repete todo mês: cateteres e equipos de infusão, reservatórios, adesivos de fixação, baterias e, quando o tratamento inclui monitoramento contínuo, os sensores de glicose.
Por isso o orçamento que instrui um pedido não pode ser só o do aparelho. Precisa separar o custo inicial do custo mensal recorrente, item por item, com nota ou orçamento formal de fornecedor. Orçamento vago enfraquece o pedido.
A tabela de preços, item por item
Valores consultados na Drogasil em 14 de agosto de 2026, em preço de tabela, sem desconto de laboratório e sem convênio.
- Kit da bomba MiniMed 780G (MMT-1896BP): R$ 20.700,00
- Cateter Quick-set (MMT-397A ou MMT-399A), caixa com 10: R$ 1.435,00, ou R$ 143,50 a unidade
- Reservatório 3ml (MMT-332A), caixa com 10: R$ 240,00, ou R$ 24,00 a unidade
- Sensor Guardian 4 (MMT-7040C8), caixa com 5: R$ 2.440,00, ou R$ 488,00 a unidade
- Transmissor Guardian 4 Starter (MMT-7840W8): R$ 3.850,00
- Sensor FreeStyle Libre, 1 unidade: R$ 299,90, e FreeStyle Libre 2 Plus: R$ 329,90
Com que frequência cada item é trocado
Sem esse dado não existe conta possível. Os prazos abaixo são do próprio fabricante:
- Conjunto de infusão (cateter), modelo habitual: a cada 2 ou 3 dias. A página oficial da Medtronic no Brasil afirma que “será preciso mudar o conjunto de infusão a cada 2 ou 3 dias”.
- Reservatório: trocado junto com o conjunto de infusão.
- Sensor Guardian 4: a cada 7 dias.
- Conjunto Extended da Medtronic: uma única troca a cada 7 dias.
- Sensor FreeStyle Libre: até 14 dias. FreeStyle Libre 2 Plus: até 15 dias, conforme a Abbott.
A nota técnica do NATJUS do Distrito Federal sobre bomba de infusão de insulina, de 09/07/2019, registra troca de cateter a cada 3 dias. Vale conhecer esse documento por outro motivo: o Tema 1.316 do STJ determina que o magistrado se apoie em consulta prévia ao NATJUS, então é essa a fonte que o juiz vai ler.
A conta completa do ano, item por item
Preços de tabela consultados na Drogasil em 14 de agosto de 2026. Prazos de troca informados pelos próprios fabricantes: conjunto de infusão a cada 2 ou 3 dias (Medtronic Brasil), reservatório junto com o conjunto, sensor Guardian 4 a cada 7 dias.
Cenário de troca a cada 2 dias, que é o intervalo mais curto previsto pelo fabricante:
- 183 cateteres Quick-set, a R$ 143,50: R$ 26.260,50
- 183 reservatórios 3ml, a R$ 24,00: R$ 4.392,00
- 53 sensores Guardian 4, a R$ 488,00: R$ 25.864,00
- 61 refis de insulina asparte Fiasp Penfill, a R$ 67,31 (para quem usa cerca de 50 unidades por dia): R$ 4.106,15
- 730 tiras reagentes, a R$ 1,72 (duas medições por dia): R$ 1.254,14
- Insumos e insulina, no ano: R$ 61.876,79
Cenário de troca a cada 3 dias:
- 122 cateteres: R$ 17.507,00
- 122 reservatórios: R$ 2.928,00
- 53 sensores Guardian 4: R$ 25.864,00
- insulina: R$ 4.106,15
- tiras reagentes: R$ 1.254,14
- Insumos e insulina, no ano: R$ 51.659,29
No primeiro ano entram ainda a bomba (R$ 20.700,00) e o transmissor (R$ 3.850,00), que somam R$ 24.550,00. Com isso, o primeiro ano de tratamento fica entre R$ 76.209,29 e R$ 86.426,79, e passa de R$ 90 mil quando a dose diária de insulina é maior, quando há perda de cateter por descolamento ou obstrução, ou quando o sensor precisa ser substituído antes do prazo.
A partir do segundo ano sai a compra do aparelho, mas o consumo permanece: entre R$ 51,6 mil e R$ 61,8 mil por ano, todo ano, enquanto durar o tratamento.
Ressalva de método: o intervalo de troca e a dose que valem são os prescritos pelo médico assistente, e podem ser diferentes dos parâmetros usados acima. As contas são ordem de grandeza montadas com preço de tabela de um único dia. Não são orçamento.
Um detalhe que muda muito a conta
Com o conjunto Extended, trocado a cada 7 dias em vez de 3, os cateteres caem de 122 para cerca de 53 no ano, e essa linha sai de R$ 17.507,00 para cerca de R$ 7.605,50. É um dado útil quando a operadora ou o ente público alega custo excessivo: existe configuração mais econômica, e ela é do próprio fabricante.
Ressalva de método: o intervalo de troca que vale é o prescrito pelo médico assistente, e pode ser diferente do intervalo máximo do fabricante. As contas acima são ordem de grandeza, montadas com preço de tabela de um único dia. Não são orçamento.
Como saber o que cabe no seu caso
Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos. Para tirar dúvidas sobre a sua situação, é possível buscar orientação jurídica individualizada pelo WhatsApp.
Por que o custo importa juridicamente, e por que importa de forma diferente em cada via
Este é o ponto que quase ninguém explica, e ele muda a estratégia.
Contra o SUS, a capacidade de pagar é discutida. No Tema 106, o STJ fixou que o fornecimento de medicamento não incorporado depende, entre outros requisitos, da comprovação de incapacidade financeira de arcar com o custo. Ou seja, quanto a família ganha e quanto o tratamento custa entram na conta.
Contra o plano de saúde, a lógica é outra. Nos critérios fixados pelo STF na ADI 7.265 e nos parâmetros do Tema 1.316 do STJ, não há requisito de renda. O beneficiário já paga o plano. O que se discute é prescrição médica, ausência de alternativa adequada no rol da ANS, registro na Anvisa e prova de que houve pedido à operadora com negativa, demora excessiva ou omissão.
A consequência prática: quem está discutindo com plano de saúde não precisa provar que não tem recursos, e insistir nisso desvia o foco do que realmente é analisado.
O que fazer quando o custo inviabiliza o tratamento
- peça ao médico assistente um relatório que explique por que a bomba é necessária no seu caso e por que as alternativas já disponíveis não servem;
- reúna orçamento formal do aparelho e dos insumos, separando custo inicial e custo mensal;
- faça o pedido por escrito, ao plano ou à secretaria de saúde, e guarde protocolo e data;
- exija a resposta por escrito, ainda que negativa. Negativa verbal não serve como prova;
- se estiver discutindo com o SUS, organize também comprovantes de renda da família.
O erro mais comum
Achar que “não consigo pagar” resolve sozinho. Não resolve. Contra o plano, esse argumento não está entre os critérios. Contra o SUS, ele é um dos requisitos, mas nunca o único: sem relatório médico fundamentado e sem prova do pedido administrativo, o custo isolado não sustenta o pedido.
Leia também: o que o STJ decidiu sobre bomba de insulina nos planos, os 5 critérios do STF e o que não pode faltar no relatório médico.
O que pesa mais no custo da bomba de insulina?
Os sensores e os cateteres. No cenário de troca do cateter a cada 3 dias, os sensores Guardian 4 somam R$ 25.864,00 no ano e os cateteres Quick-set somam R$ 17.507,00, ou seja, 84% dos R$ 51.659,29 gastos em insumos e insulina. Insulina, reservatórios e tiras completam o restante. Por isso a discussão sobre insumos importa tanto quanto a discussão sobre o aparelho. Preços de tabela consultados na Drogasil em 14/08/2026.
O plano de saúde cobre os insumos da bomba de insulina?
É comum a operadora autorizar o aparelho e negar cateter, reservatório e sensor, o que na prática inviabiliza o tratamento. O pedido administrativo precisa listar o aparelho e os insumos, com a identificação de cada item, e a negativa deve ser guardada por escrito. O caminho está descrito em o que fazer quando o plano nega os insumos da bomba. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos.
O BPC/LOAS paga o tratamento com bomba de insulina?
Não. O BPC é de 1 salário mínimo por mês e serve para subsistência, enquanto só os insumos e a insulina de um ano ficaram entre R$ 51.659,29 e R$ 61.876,79 nesta apuração. São duas discussões diferentes, que podem correr ao mesmo tempo: os requisitos do benefício estão em BPC/LOAS para pessoas com diabetes, e o equipamento se discute no pedido de bomba de insulina pelo SUS ou junto ao plano de saúde. Para comparar com o outro insumo caro, veja quanto custa o sensor de glicose por mês.
Fontes
- STJ, Tema 106, REsp 1.657.156/RJ: portal do STJ
- STF, ADI 7265: portal do STF
- STJ, Tema 1.316, REsp 2.168.627: portal do STJ
Essa conta é a do sistema com tubo. Quem usa ou pretende usar bomba adesiva deve ver a bomba Medtrum (Nano Pump), porque a estrutura de custo é outra.
A conta detalhada de cada sensor, com preço, duração e o total do mês e do ano, está em quanto custa o sensor de glicose por mês.
Se a dúvida for se a bomba compensa, veja também bomba de insulina vale a pena.
Perguntas frequentes
Qual o custo mensal de uma bomba de insulina?
Considerando só os insumos e a insulina, o gasto anual fica entre R$ 51.659,29 e R$ 61.876,79, o que dá aproximadamente R$ 4.300 a R$ 5.150 por mês. No primeiro ano soma-se ainda a compra do aparelho e do transmissor.
Quanto custa uma bomba de insulina por ano?
O primeiro ano fica entre R$ 76.209,29 e R$ 86.426,79, e passa de R$ 90 mil quando a dose de insulina é maior ou quando cateter e sensor se perdem antes do prazo. A partir do segundo ano, sem a compra do aparelho, o custo fica entre R$ 51,6 mil e R$ 61,8 mil por ano.
Qual o valor da bomba de insulina 780G?
O kit da bomba MiniMed 780G (MMT-1896BP) estava a R$ 20.700,00 em preço de tabela na Drogasil, em consulta feita em 14 de agosto de 2026.
Orientação e contato
Em caso de dúvida sobre o seu caso, é possível buscar orientação jurídica individualizada pelo WhatsApp.
Guias completos sobre o tema: bomba de insulina pelo SUS, bomba de insulina pelo plano de saúde e sensor de glicose pelo plano de saúde.
Conteúdo informativo. Cada caso depende da análise dos documentos médicos e jurídicos. João Bruno Nascimento Borges, advogado, OAB/SE nº 10.726.